Em 16 de setembro de 2026, a Anthropic anunciou a união do chat com o Cowork. Na nova experiência, você escreve o pedido e o próprio Claude decide se responde ou executa uma tarefa. A mudança está chegando aos poucos às contas. Junto com ela vieram três formatos de saída: documento, apresentação e peça visual. Este texto percorre o que o anúncio e a central de ajuda dizem, o que isso muda no escritório e o que ainda não dá para afirmar.
O que mudou em 16 de setembro
Até a fusão, quem usava o Claude precisava decidir antes de escrever: isto é conversa ou é execução? Pergunta sobre um tema ia para o chat. Tarefa com várias etapas, arquivo e ferramenta ia para o Cowork. Para editar o resultado em um documento ou apresentação, muitas vezes você saía do Claude e abria outro programa.
O anúncio oficial da Anthropic tira essa escolha da sua mão. Você escreve, e o Claude decide se responde ou se executa. A mudança não exige migração: segundo a central de ajuda, conversas, tarefas, projetos e configurações acompanham a conta. O que você já tinha continua lá.
Docs, Slides e Design, os três em beta
A novidade mais visível fica logo abaixo da caixa de mensagem: um seletor de saída, chamado Output, com três opções.
Docs gera um documento editável dentro da conversa. A central de ajuda documenta abas, tabelas, comentários (você seleciona um trecho e chama o Claude ali mesmo) e edição simultânea com outra pessoa. A exportação oficial é em Word, PDF, Markdown e Google Docs.
Slides monta uma apresentação editável, que você exporta em PowerPoint ou PDF, ou apresenta sem sair do Claude.
Design cuida de identidade visual e peças. Dá para escolher um design system, importado ou criado do zero, e a documentação lista exportações e integrações, entre elas o envio ao Canva.
O ponto que o anúncio marca, e que muita demonstração deixa passar, é que os três estão em beta, não só um deles. A própria documentação aponta limites concretos: o Docs não tem histórico de versões, gráfico não se atualiza sozinho e documento apagado não vai para uma lixeira. Os três também ficam indisponíveis para organizações com chave de criptografia gerenciada pelo cliente, retenção zero de dados ou configuração voltada a dados de saúde, e no plano Enterprise vêm desligados até o administrador ativar.
Na prática, trate tudo o que sair dos três como rascunho. Principalmente o que vai para cliente.
A decisão que sobrou: quanto ele faz sem perguntar
Se o Claude agora decide quando executar, a escolha que fica com você é quanto ele pode fazer sem interromper. Na nova experiência, a central de ajuda apresenta dois modos de aprovação.
- Manual é o padrão e pede sua aprovação para ações que exigem permissão.
- Auto verifica as ações e pode seguir, bloquear ou pedir confirmação.
Na experiência anterior do Cowork, a documentação também descreve o modo Skip. A interface unificada oferece Manual e Auto. No Team e no Enterprise, o administrador pode desativar a opção Auto para a equipe.
Esta é a decisão que muda o trabalho de quem tem escritório, e minha régua é simples. Tarefa que só lê e resume pode ir no Auto, desde que você revise o resultado. Tarefa que envia mensagem ou altera arquivo importante fica no Manual, porque seus efeitos podem ser difíceis de desfazer.
Essa régua é opinião minha, não da Anthropic. O critério é proporcionalidade: quanto maior a consequência de um erro, mais supervisão eu quero ter.
Sigilo: memória e uso dos dados
Dois pontos pedem atenção antes de subir qualquer dado de cliente.
O primeiro é a memória. Desde 25 de agosto, ela pode acompanhar chat e tarefas do Cowork na nuvem. Vem ligada por padrão no Free, Pro e Max, e desligada por padrão no Team e Enterprise. O que o Claude guarda numa conversa pode reaparecer em outra tarefa. Vale abrir as configurações de memória e ver o que já está salvo.
O segundo é o uso das conversas para melhorar os modelos. No Free, Pro e Max, confira em Configurações de Privacidade se você autorizou esse uso. No Team, Enterprise e na API, o conteúdo não é usado para treino por padrão. A política prevê exceções, como feedback enviado pelo usuário; por isso vale conferir as escolhas da conta e da organização.
Ao trabalhar com dados de clientes, avalie a finalidade da tarefa, quem pode acessar o resultado, quais conectores estão ativos e quais dados o Claude realmente precisa receber. Anonimizar pode ser uma das medidas, conforme o caso.
Quando chega na sua conta
A liberação é gradual. Pro e Max recebem primeiro; Free e Team, depois; o Enterprise, com aviso mínimo de 30 dias. Se a sua tela ainda mostra chat e Cowork separados, a conta simplesmente não foi migrada.
Um detalhe que evita frustração: a tarefa que roda na nuvem continua mesmo com o notebook fechado. A que usa arquivo ou programa do seu computador exige o app do Claude aberto na máquina.
Um uso concreto para o escritório
Pegue uma planilha de horas do mês, com os dados necessários para a tarefa. No Output, escolha Docs e peça um relatório editável, com resumo, tabela por cliente e observações. Depois, peça ao Slides que transforme esse relatório em uma apresentação curta para a reunião de sócios, usando o design system do escritório se já existir um.
O resultado é um documento em Word ou PDF para arquivar e uma apresentação em PowerPoint para a reunião. Como o Claude vai criar arquivos a partir de dados do escritório, escolha o modo de aprovação de acordo com os acessos concedidos e revise o material antes de circular.
O que ainda não está confirmado
Vídeos de demonstração mostram opções de exportação que a documentação oficial não lista. Fiquei com a lista oficial, e só incluo o resto depois de testar na minha conta.
Também não está detalhado nas fontes o que acontece com a tarefa que mistura pesquisa na nuvem com a leitura de um arquivo já anexado quando o notebook fecha. E, até 28 de setembro, as fontes indicavam que o Free já recebeu a memória unificada, mas ainda não a interface única.
A ferramenta não espera
Em poucas semanas, o Claude reuniu chat e tarefas, ganhou memória compartilhada e passou a criar Docs, Slides e Design na conversa. Quem começa com uma tarefa pequena aprende a revisar o resultado e a decidir, aos poucos, quanta autonomia conceder. Quem adia acumula essas decisões.
Foi por isso que nós criamos a ANA: para quem quer começar agora ou turbinar o que já sabe fazer hoje.