Ato um · 2004–2014
Dez anos de balcão
Entrei na faculdade de Direito em 2004 e, no mesmo ano, comecei a viver a rotina de escritório de advocacia. Fui estagiário. Depois paralegal. Depois advogado por conta própria, com uma equipe enxuta — e com tudo o que vem junto quando a banca é pequena: a peça, o prazo, o cliente, a cobrança e o financeiro, todos na mesma mesa.
Foi ali que aprendi o que nenhuma cadeira da faculdade ensina: escritório de advocacia é uma operação. Antes de ser tese, jurisprudência ou audiência, é gente, processo e conta fechando no fim do mês.
O meu grande sonho, naquele tempo, tinha forma definida: um escritório com uma equipe robusta, dedicada a cada área da empresa — e eu com mais tempo para fazer o que sabia fazer melhor: prospectar e arquitetar soluções para os meus clientes.
Ato dois · 2014
O escritório
Em 2014, depois de dez anos assim, eu e Davi Cavalcanti fundamos a Tiburcio Cavalcanti Advogados, em Recife.
A primeira decisão foi a que definiu tudo: frear o atendimento a pessoa física e focar em empresas. O meu conhecimento na área cível, somado ao dele na tributária, formava a base natural do direito empresarial — e foi sobre essa base que o escritório cresceu.
As outras áreas vieram depois, puxadas pelas necessidades dos próprios clientes. Fomos criando ramificações dentro das que já existiam, sempre com o mesmo critério: serviço estratégico, bom retorno e uma linha de produção bem definida. De lá para cá, a banca chegou a oito áreas de atuação, mais de 3.500 clientes atendidos e alcance nacional.
Repare na expressão: linha de produção. Muito antes de existir IA para operar, eu já tratava a advocacia como operação. Quando ela chegou, o terreno estava preparado.
Ato três
Os anos em que nada cabia
Durante esses anos, muitas ideias morreram por falta de estrutura e de tempo. Quem dirige escritório sabe: o maior desafio do gestor é alocar recurso.
Investe em mídia digital? Freia a tradicional. Investe nas duas? Não sobra para montar o time comercial. Contrata mais um SDR ou um closer? Uma agência de tráfego ou um gestor em tempo integral?
Cada uma dessas decisões consome orçamento e consome tempo — o mesmo tempo de quem ainda precisa cuidar do time jurídico, prospectar, negociar com cliente, montar estratégia, estudar e fazer networking.
Foi nesse aperto que o marketing digital passou por mim. Eu vi nascer, crescer e dominar. Estudei a fundo. E não apliquei no meu escritório como deveria — não porque não entendi, mas porque não cabia. Não tenho como medir o tamanho do que deixei na mesa.
Ato quatro
A virada com a IA
Com a inteligência artificial como ela é hoje — além do chat — abriu-se um portal para um mundo completamente novo. Agora dá para construir o que sempre sonhei sem comprometer o orçamento do escritório.
Sabe aquele CRM que não conversa com o atendimento, que não dialoga com o sistema de gerenciamento de processos? Está com os dias contados. Hoje não só é possível fazer os dois conversarem — é possível criar o seu próprio sistema, do jeito que você sempre quis.
Tudo o que um humano é capaz de construir na frente de um computador, você é capaz de construir com auxílio de IA.
A distância tecnológica entre mim, você e o maior escritório de advocacia do Brasil é apenas criatividade e execução.
Quanto mais repertório você tiver e mais testes você fizer, mais apto vai estar para desenvolver o que quiser — e para decidir onde alocar tempo, onde economizar e quais fontes de receita estruturar.
É por isso que a IA não é a segunda edição do marketing digital. Aquela onda era opcional: quem ficou de fora perdeu crescimento, mas continuou advogando do mesmo jeito. Esta mexe em como a peça nasce, no que o cliente espera e em como o processo anda no tribunal. Dessa vez eu decidi estar na primeira fila — não como comentarista, mas reconstruindo o meu próprio escritório e co-fundando a ANA para percorrer o caminho com outros donos de banca.
Onde estou agora
Dirijo a Tiburcio Cavalcanti Advogados, sediada em Recife e com atuação nacional. Também co-fundei a ANA — plataforma e mentoria de inteligência artificial para a advocacia brasileira. Escrevo toda semana sobre o que estou testando: o que funcionou, o que não funcionou e o que isso significa para quem dirige uma banca.
O trabalho é um só, visto de dois ângulos: entender como a IA reconstrói a prestação jurídica — e construir isso de fato, primeiro no meu escritório, depois com quem decidiu não assistir de fora.
Vinte e dois anos depois, o sonho do balcão continua o mesmo: cada área bem cuidada, e eu no que sei fazer melhor. O que mudou foi o caminho. Ele não passa mais por uma folha de pagamento gigante — passa por uma operação reconstruída com IA.