Bruno Tiburcio
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A marca d'água da IA

Bruno Tiburcio 8 de setembro de 2026 Leitura de 15 minutos

Em duas semanas, a marca d'água da inteligência artificial saiu do nada para virar assunto de vídeo viral, de post de advogado e de repositório com vinte mil estrelas no GitHub. Quase tudo que se diz sobre ela está errado, inclusive nos materiais mais bem produzidos. Este texto é o que sobrou depois que eu abri o código, li a documentação e conferi a lei — afirmação por afirmação.

O que mudou em 2 de agosto

Os modelos do Claude lançados a partir de 2 de agosto de 2026 embutem uma marca imperceptível no texto que geram. A Anthropic publicou o funcionamento em How Claude's text watermark works, e a central de ajuda descreve o escopo: vale em todo lugar onde você usa o Claude — aplicativo, API, Claude Code, Cowork —, inclusive quando o modelo é servido por AWS, Google Cloud ou Microsoft Foundry.

Não existe opção de desligar. A tecnologia tem nome e sobrenome: é uma implementação do SynthID-Text, do Google DeepMind, adotada pela Anthropic.

A razão é regulatória, e aqui já começa a primeira imprecisão que circula. Diz-se que o artigo 50 do regulamento europeu de inteligência artificial obriga a marca d'água. Ele não obriga. O artigo 50(2) exige que o conteúdo sintético seja marcado em formato legível por máquina, e as diretrizes oficiais da Comissão admitem expressamente metadados, proveniência criptográfica, logging e fingerprints.

Quem exige marca d'água em texto é outro instrumento: o Código de Conduta sobre Transparência de Conteúdo Gerado por IA, na Sub-measure 1.1.2. E ele explica por que o texto é caso à parte, com uma frase que resolve a confusão inteira: free-form text cannot transport metadata. Texto puro não carrega metadado. Sobra a marca.

O mesmo documento fixa um piso que quase ninguém cita: a marcação é exigida para texto livre acima de 200 tokens. Abaixo disso, o próprio código reconhece que não há sinal confiável.

Onde a marca mora, e por que quase todo mundo explica errado

A explicação que virou padrão é a do dado viciado: o modelo passaria a preferir certas palavras. É intuitiva, é fácil de desenhar num slide, e não é o que acontece.

O Claude escreve uma palavra por vez. Em muitos pontos, várias palavras servem igual — "o pedido foi acolhido", "provido", "deferido", "julgado procedente" — e nesses pontos a escolha se resolve por um número aleatório. O que a marcação faz é trocar de onde vem esse número: em vez do gerador comum, ele sai de uma chave secreta combinada com o texto que veio antes.

A própria Anthropic é explícita: as escolhas continuam sendo feitas ao acaso, e o que muda é a fonte desse acaso. A distribuição se preserva. Quem tem a chave refaz o mesmo sorteio depois e verifica se bateu.

Isso explica três coisas de uma vez. Por que copiar e colar não tira nada — você está levando as palavras, e a marca são elas. Por que trocar meia dúzia de sinônimos não resolve — o sinal está espalhado por milhares de escolhas. E por que o texto não fica pior — nenhuma palavra isolada foi degradada.

A ferramenta que estourou no GitHub

O repositório guillaumemeyer/watermarks-remover foi criado em 11 de agosto de 2026 e passa de vinte mil estrelas. É uma skill de agente com um serviço em Python, licença MIT, código aberto para qualquer um ler. Não é golpe, e a documentação é honesta — mais honesta, aliás, que boa parte de quem a divulga.

Ela trabalha em três camadas. Duas funcionam:

  • Caractere invisível no texto — espaços exóticos, marcas de direção, caracteres de tag. Script determinístico: roda e some.
  • Metadados de arquivo — C2PA, EXIF, XMP, propriedades de documento, em PNG, JPEG, PDF, DOCX, XLSX, EPUB e mais. Limpa de verdade.

A terceira é a que interessa, e é onde o manual muda de tom. Para a marca estatística, a ferramenta declara best-effort — melhor esforço. O que ela faz é mandar outro modelo reescrever o texto inteiro.

E há uma armadilha prática que ninguém conta. Em arquivos — Markdown, HTML, PDF, DOCX — a reescrita não roda. Está escrito no manual: containers são limpos como containers, com metadado e camada A, e não passam pela camada B. Se você jogar a sua petição em .docx na ferramenta, ela limpa o metadado, devolve o arquivo, e a marca continua inteira. A reescrita só acontece com texto puro, colado.

A linha que ninguém leu

Para saber se apagou, a ferramenta precisaria de um detector. E o detector do Claude, dentro dela, ainda não existe. Na matriz de capacidades, a linha correspondente traz um espaço reservado e uma nota: a Anthropic anunciou uma API de detecção, e essa costura ativa quando ela sair.

Ou seja: a ferramenta reescreve o seu texto de ponta a ponta e não tem como conferir o resultado. O manual admite isso em uma frase que devia estar em todo material sobre o assunto — enquanto os fornecedores não publicarem detectores e chaves, nenhuma ferramenta pode honestamente certificar que um texto falha na checagem oficial.

Há um segundo achado na mesma matriz, e é notícia: o Google aposentou o detector oficial do SynthID para texto na API, em agosto de 2026. O Gemini continua marcando; o que sumiu foi a ferramenta de verificar.

Vale registrar também a cláusula de ética do projeto, porque ela desarma o enquadramento fácil. O manual diz que a ferramenta é destinada ao conteúdo que é seu, por privacidade e higiene, e que os resultados não devem ser apresentados como prova de autoria humana.

Card do carrossel comparando quem já marca o texto (Claude e Gemini) e quem ainda não marca (ChatGPT, com prazo até 2 de dezembro de 2026).
O mapa de quem marca. O prazo do ChatGPT é o dado que quase não circulou.

A skill que promete humanizar

A saída que mais aparece nos comentários é mandar a própria IA "humanizar" o texto. Fui conferir do jeito mais direto: pedi ao Claude que abrisse a skill de humanizar instalada aqui e me dissesse o que ela faz.

São 474 linhas, e zero menções a marca d'água, SynthID, token, amostragem ou proveniência. O conteúdo é uma lista de tiques de escrita: ênfase indevida em relevância, gerúndio empilhado para fingir profundidade, linguagem de folheto, atribuição vaga, travessão em excesso, régua de três.

Ela é uma editora de estilo. A marca d'água não é estilo.

E há um agravante que inverte o resultado. A skill roda dentro do Claude — então cada palavra que ela reescreve é uma geração nova, que sai marcada na hora. O manual da ferramenta do GitHub avisa exatamente isso: não reescreva texto do Claude com o Claude, se o objetivo é não carimbar de novo.

O que a skill resolve, e resolve bem, é o outro problema: o texto parecer de IA. Isso importa quando quem lê é um juiz, um cliente ou um colega, com o olho e sem chave nenhuma — que é 99% dos casos reais. Só não confunda uma coisa com a outra.

Quem marca, e o relógio de dezembro

O Gemini marca texto desde 2024, via SynthID. O Claude marca desde agosto de 2026. Reescrever num deles é trocar a marca de lugar.

O ChatGPT não marca texto hoje, e isso é verificável em quatro documentos da própria OpenAI que se conferem mutuamente: a tabela oficial de sinais de proveniência tem duas linhas apenas, imagens e áudio; a ferramenta de verificação declara aceitar só imagem e áudio; a API de proveniência recebe só esses dois formatos.

Só que existe um prazo, e ele quase não circulou. O Regulamento (UE) 2026/1744, de 8 de julho de 2026, inseriu o artigo 111(4) no AI Act: provedores de sistemas que geram conteúdo sintético de áudio, imagem, vídeo ou texto, colocados no mercado antes de 2 de agosto de 2026, devem cumprir o artigo 50(2) até 2 de dezembro de 2026. O ChatGPT e a API estavam no mercado antes dessa data. A multa chega a 15 milhões de euros ou 3% do faturamento mundial.

Não há saída pelo metadado, pelo motivo que o próprio código de conduta explica: texto puro não o transporta.

O contraste que fecha o ponto: OpenAI e Anthropic assinaram a mesma Seção 1 do Código de Transparência, ao lado de Google, Meta, Microsoft e Mistral. A Anthropic publicou o método, o escopo, as limitações e uma API de detecção. A OpenAI publicou um objetivo — expandir sinais de proveniência para todas as modalidades, incluindo texto, conforme padrões e ferramentas amadureçam. Sem data e sem método.

A xAI não assinou nenhuma das duas seções, e não há esquema publicado para o Grok. Mas não assinar não isenta: o artigo 50(2) é lei, e quem fica fora do código apenas perde o porto seguro.

O modelo aberto na sua máquina

Sobra uma saída, e ela é a única que resiste ao escrutínio: um modelo de pesos abertos rodando no seu próprio computador.

Isso não é opinião. O código do Ollama, na árvore inteira, não tem uma ocorrência de watermark nem de synthid, e não carrega SDK de analytics. No llama.cpp, a única ocorrência da palavra em todo o repositório é o nome de uma métrica de monitoramento.

O argumento contrário mais forte seria o Gemma, modelo aberto do Google, que teoricamente poderia trazer o SynthID embutido. Não traz. A marcação entra por um mix-in que estende tanto a classe do Gemma quanto a do GPT-2 — o mesmo envelope serve para um modelo de 2019, o que prova que não é propriedade dos pesos. O campo de configuração da marcação vem nulo por padrão, e não aparece nos arquivos publicados de Gemma 3, Qwen3, Mistral ou gpt-oss. O relatório técnico do Gemma 3 não menciona SynthID uma vez sequer.

Os modelos chineses também não marcam fora da China. As medidas do órgão regulador de lá obrigam o prestador de serviço, e o rótulo implícito obrigatório é metadado de cabeçalho com o nome do prestador — mecanismo que não se aplica a um modelo rodando sozinho na sua máquina.

Duas ressalvas, porque sem elas isto vira propaganda:

  • Não estar marcado não é ser irreconhecível. Existe atribuição estatística por estilo. É classificador probabilístico, sem chave e sem garantia, e os melhores números da literatura são em código de programação, não em prosa jurídica revisada. Mas existe.
  • Você troca a marca pela qualidade. O modelo gratuito escreve pior que o modelo caro, e o manual da ferramenta do GitHub faz a pergunta que ninguém quer responder: se o plano é reescrever com um modelo mais barato de qualquer forma, por que pagar pelo caro?

A resposta honesta dessa pergunta é o método que sobra: você quer o raciocínio e a minuta do modelo bom, e aceita uma passada de reescrita depois. O próprio manual reconhece esse caso de uso, e recomenda para a reescrita um modelo local de pesos abertos, diferente do modelo de origem.

Card do carrossel com o método: análise, teses e estrutura no Claude ou ChatGPT, e a redação final num modelo gratuito rodando no computador.
Pense no modelo caro, escreva no gratuito. E não deixe o modelo local tocar nas referências.

Se você for por esse caminho, uma trava é obrigatória: o modelo local reescreve o texto, nunca as referências. Número de processo, data, valor e citação você recoloca à mão e confere um a um. O modelo mais fraco é exatamente o mais propenso a corromper esses campos — e corromper referência é o único erro deste assunto que tem consequência real.

O que a marca prova, e o que ela não prova

Aqui está o ponto que desmonta boa parte do pânico, e ele vem da documentação da própria empresa que criou a marca.

Detectar a marca indica que o conteúdo pode ter passado pelo Claude, e isso, sozinho, não confirma a proveniência do texto. Não diz quem escreveu, não diz se houve revisão, não diz se o trecho marcado é uma linha ou o documento inteiro.

E a ausência também não prova nada. A marca pode não sobreviver a edição pesada, paráfrase, tradução ou mistura com outro texto, e trechos curtos podem não ter sinal confiável.

Nem achar prova, nem não achar inocenta.

Quanto a quem consegue detectar: nenhum site público lê a marca em texto. Os verificadores que devolvem porcentagem estão estimando por estilo, e erram muito — inclusive contra texto humano formal, que é exatamente o registro de uma petição. A API de detecção da Anthropic existe, em prévia fechada, e a lista de quem pode pedir acesso inclui reguladores, forças da lei, imprensa, agências de checagem, pesquisadores independentes e instituições de ensino. Não é "ninguém"; é "ainda não é qualquer um".

O que o Brasil já pune, e não é usar IA

Nenhuma norma proíbe advogado de usar inteligência artificial. A Resolução CNJ 615/2025 abre o artigo 10 com "são vedados ao Poder Judiciário" — ela regula o tribunal, não você. O advogado aparece na resolução como usuário externo, e a OAB como fiscal, com direito de acesso às avaliações de impacto algorítmico.

E o Judiciário usa. O STF minuta ementas e relatórios com IA generativa; o STJ minuta relatórios de decisões monocráticas com um sistema desenvolvido internamente. Em 2024, quase metade dos tribunais brasileiros já usava IA generativa.

O que existe, e é real, é outra coisa. Uma base independente cataloga decisões em que alguém levou aos autos julgado que não existe. Em setembro de 2026 são 2.009 casos no mundo, e 41 deles são brasileiros. Nenhum por usar IA. Todos por citação inventada.

O teto já foi testado no tribunal mais alto: em maio de 2025, na Reclamação 78.890, o STF condenou ao dobro das custas e oficiou o Conselho Federal da OAB e a seccional. Em 17 dos 41 casos brasileiros saiu ofício para a Ordem.

Nenhum tribunal brasileiro tem detector de marca d'água. Os dois sistemas que costumam ser citados como tal — o Berna, do TJGO, e o Bastião, do TJPE — medem similaridade entre processos para identificar litigância predatória, e não autoria de texto.

O que fazer com isso

Antes de tentar apagar, veja se há o que apagar. Texto que você escreveu e mandou revisar quase não marca, porque as palavras continuam suas. Código quase não marca, e as diretrizes do artigo 50 excluem código expressamente. Texto abaixo de 200 tokens não tem sinal. O que marca cheio é texto longo escrito do zero — e tradução, porque nela cada palavra é escolha do modelo.

Limpe os caracteres invisíveis, e não pela marca d'água. O ChatGPT insere um espaço estreito sem quebra no texto que gera; a própria OpenAI classifica como resíduo de treino. Ele viaja junto quando você cola. É higiene de documento, como rodar o corretor antes de protocolar, e a camada A da ferramenta faz isso em segundos.

Se for reescrever, use modelo local e proteja as referências. É o único caminho sem prazo de validade.

E confira a fonte. Toda citação, todo número de processo, toda data. Leva dois minutos por peça e resolve o problema que nenhuma reescrita resolve. Apagar a marca cuida do medo; conferir a fonte cuida do risco.

Como refutar este texto

Três pontos onde eu posso estar errado, e como você verifica:

O prazo de dezembro. A numeração "artigo 111(4)" não consta de texto consolidado oficial — o serviço de apoio do AI Act ainda serve a versão de junho de 2024, com apenas três parágrafos nesse artigo. Eu confirmei o parágrafo no ato modificativo, o Regulamento (UE) 2026/1744. Se você encontrar consolidação diferente, o prazo muda.

O teste independente é de 2024. O trabalho da ETH Zurique apresentado no ICLR 2025 concluiu que nenhum dos modelos testados estava marcado, mas testou GPT-4, Claude 3 e Gemini 1.0 Pro. Não localizei reexecução sobre as versões atuais.

Os arquivos de configuração dos modelos abertos. Li os de Gemma e Llama em espelhos públicos, porque os repositórios oficiais exigem aceite de licença. Para fechar em cem por cento, basta abrir o arquivo de um modelo já baixado na sua máquina e confirmar a ausência do campo de marcação.

O que eu não vi, eu digo que não vi. É o mínimo que se pode exigir de um texto que passou onze telas dizendo que os outros afirmaram demais.

Fontes

  • Anthropic, How Claude's text watermark works — o método, a adoção do SynthID-Text do Google DeepMind e as limitações declaradas. anthropic.com/news/claude-text-watermark
  • Anthropic, central de ajuda, How Claude marks AI-generated content — escopo (modelos lançados a partir de 02/08/2026; aplicativo, API, Claude Code, Cowork, e via AWS, Google Cloud e Microsoft Foundry), ausência de opt-out, a API de detecção em prévia fechada e a lista de organizações elegíveis, e as ressalvas sobre edição pesada, paráfrase, tradução e trechos curtos. support.claude.com
  • Regulamento (UE) 2024/1689 (AI Act), artigo 50(2) — exigência de marcação "em formato legível por máquina"; Considerando 133 e as diretrizes da Comissão (§73) admitindo metadados, proveniência criptográfica, logging e fingerprints, e excluindo código-fonte.
  • Código de Conduta sobre Transparência de Conteúdo Gerado por IA, Sub-measure 1.1.2 — a exigência de marca imperceptível, o piso de 200 tokens para texto livre, e a constatação de que "free-form text cannot transport metadata". Cerca de 190 organizações signatárias; 82 na Seção 1, que inclui Anthropic, OpenAI, Google, Meta, Microsoft e Mistral, e não inclui a xAI. digital-strategy.ec.europa.eu
  • Regulamento (UE) 2026/1744, de 08/07/2026, item (39), inserindo o artigo 111(4) do AI Act — prazo de 2 de dezembro de 2026 para sistemas colocados no mercado antes de 2 de agosto de 2026, incluindo os que geram texto.
  • OpenAI, guia de content provenance e ferramenta de verificação — a tabela de sinais cobre apenas imagens (C2PA e SynthID) e áudio (SynthID); o verificador declara aceitar só imagem e áudio. developers.openai.com
  • Repositório guillaumemeyer/watermarks-remover — README e skills/remove-ai-marks/SKILL.md, lidos em 07/09/2026: as três camadas, o "best-effort" da camada estatística, a exclusão dos containers (".docx" e afins não passam pela reescrita), o detector do Claude como espaço reservado, a aposentadoria do detector do SynthID pelo Google em agosto de 2026, a cláusula de ética e a recomendação de usar modelo local de pesos abertos, diferente do modelo de origem. github.com/guillaumemeyer/watermarks-remover
  • Skill humanizer, 474 linhas, aberta e conferida em 07/09/2026 — nenhuma ocorrência de watermark, synthid, token, sampling ou provenance.
  • Código-fonte do Ollama (branch principal, setembro de 2026) e do llama.cpp — varredura da árvore completa, sem ocorrência de marcação. No llama.cpp, a única ocorrência da palavra é o nome de uma métrica de contexto.
  • Google DeepMind, synthid-text — a marcação entra por um mix-in que estende tanto a classe do Gemma quanto a do GPT-2; o campo de configuração vem nulo por padrão e não consta dos arquivos publicados de Gemma 3, Qwen3, Mistral e gpt-oss. O relatório técnico do Gemma 3 não menciona SynthID.
  • Gloaguen, Jovanović e outros, ICLR 2025 (ETH Zurique) — testes estatísticos de caixa-preta aplicados a GPT-4, Claude 3 e Gemini 1.0 Pro: nenhum dos modelos implantados testados estava marcado à época. Ressalva: dado de 2024, sem reexecução sobre as versões atuais.
  • Resolução CNJ n. 615, de 11/03/2025, em vigor desde julho de 2025 e alterada pela Resolução n. 674/2026 — o artigo 1º delimita "no âmbito do Poder Judiciário" e o artigo 10 abre com "são vedados ao Poder Judiciário"; o advogado figura como usuário externo e a OAB como fiscal, com acesso a auditorias. atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/6001
  • AI Hallucination Cases Database, de Damien Charlotin — 2.009 decisões catalogadas no mundo em setembro de 2026, das quais 41 brasileiras; 799 com advogado como responsável. damiencharlotin.com/hallucinations
  • STF, Reclamação 78.890/BA, min. Cristiano Zanin, 12/05/2025 — condenação ao dobro das custas e ofício ao Conselho Federal da OAB e à seccional, por citação inventada.
  • Berna (TJGO) e Bastião (TJPE) — sistemas de identificação de litigância predatória por similaridade entre processos, e não de autoria de texto.
Bruno Tiburcio
Bruno Tiburcio

Advogado e dono de escritório. Escreve sobre o que testa na própria operação.

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