Quem lê muito texto já reconhece o que foi escrito por IA, mesmo sem saber explicar por quê. O cliente percebe no e-mail de andamento, o colega percebe no parecer. Este texto mostra quais são essas marcas, como uma skill gratuita do Claude Code aponta e reescreve cada uma, e o que continua sendo trabalho seu.
As marcas do texto de IA
A Wikipédia mantém uma página só sobre isso, chamada "Signs of AI writing". Ela é usada pelos editores da enciclopédia para achar texto gerado por máquina e publicado sem aviso. As marcas mais comuns se repetem em qualquer língua:
- Travessão em toda frase, abrindo e fechando comentário onde uma vírgula bastava.
- "Não é X, é Y", a frase que corrige uma ideia que ninguém defendeu.
- Tudo em trios: "claro, objetivo e eficaz".
- Palavras infladas: "crucial", "robusto", "mergulho profundo".
- Negrito e emoji em lista, com um título em cada item.
- Fecho otimista: "o futuro do seu caso é promissor".
Uma marca sozinha não prova nada. Gente também usa travessão. O problema é o conjunto: quando aparecem quatro ou cinco no mesmo parágrafo, o leitor sente que ninguém escreveu aquilo.
Por que isso pesa no escritório
No escritório, o texto é o que o cliente vê do seu trabalho. A pesquisa, a estratégia e as horas de leitura dos autos chegam até ele em forma de e-mail, parecer ou proposta. Se esse texto tem cara de IA, fica a impressão de trabalho feito sem cuidado, mesmo com o direito certo.
Isso vale para o e-mail de andamento, para a petição que o colega e o juiz leem, para a proposta de honorários que um cliente novo recebe e para o post do escritório. Usar IA para escrever não é o ponto. O ponto é a marca que ela deixa.
A ferramenta: humanizer
A humanizer é uma skill gratuita e de código aberto, com licença MIT, publicada no GitHub por Siqi Chen. Ela foi montada sobre a página da Wikipédia e funciona no Claude Code. Você entrega um texto e ela faz três coisas: aponta os padrões de IA, reescreve o trecho mantendo o sentido e, no fim, relê a própria versão perguntando o que ainda denuncia a máquina.
Ela não é um detector. É o próprio Claude seguindo uma lista de padrões e exemplos de antes e depois. Por isso também dá para calibrar: se você colar dois ou três parágrafos escritos por você antes do texto a revisar, ela usa esse jeito de escrever como referência.
Dois pedidos no Claude Code do app desktop
No Claude Code do app desktop, você não precisa abrir o terminal. Você pede e ele executa.
Pedido 1, instalar:
Instale a skill humanizer (github.com/blader/humanizer) na minha pasta de skills do Claude Code.
Depois disso, basta pedir "humanize este texto" e colar o rascunho, ou digitar /humanizer.
Pedido 2, deixar a regra escrita:
No CLAUDE.md desta pasta, adicione a regra: todo texto que sai do escritório passa pela skill humanizer antes de ser enviado.
O CLAUDE.md é o arquivo que o Claude Code lê antes de trabalhar naquela pasta. Com a regra escrita, você não depende de lembrar de pedir a revisão.
O que a humanizer não faz
- Ela foi feita sobre o inglês. Travessão, "não é X, é Y", trios e negrito valem igual em português. A lista de palavras da skill está em inglês e não serve ao pé da letra.
- Ela não confere fato. O próprio repositório diz que a skill não inventa nome, número, data nem citação; quando falta um dado, ela pergunta. Conferir jurisprudência e fundamento continua sendo seu.
- O CLAUDE.md é lembrete, não trava. Ele aumenta a chance de o Claude seguir a regra, mas não impede que um texto saia sem revisão. Confira se ela rodou.
- Ela roda no Claude Code. A pasta de skills do computador é lida pelo Claude Code. No chat do Claude, as skills entram pelas configurações da conta.
Como testar no seu escritório
Pegue um e-mail de andamento escrito com IA, sem dado de cliente, e peça "humanize este texto". Compare as duas versões e confira três coisas: quais marcas saíram, se algum fato mudou e quais marcas próprias do português ela pegou sozinha. Depois repita com um texto que tenha data e número, para ver se eles continuam iguais.
A revisão final continua sendo a sua leitura. A humanizer tira o enfeite; o conteúdo é responsabilidade de quem assina.